14 de outubro de 2013

Preciso Aprender a Ser Só

Quando eu era mais nova, sabem, naquela época da adolescência, que realmente é um adoecer de tudo, pensava que estava melhor sozinha. Eu queria ser sozinha, tinha poucos amigos, talvez nem assim, no plural. Eu sempre fazia as coisas que eu podia fazer sozinha: de ler até os trabalhos da escola. Nunca fui muito de pedir ajuda. Talvez eu devesse. Mas nunca gostei muito de esperar os outros fazerem coisas por mim.


E agora, com só um pouco mais de idade, para quem já nasceu uma jovem adulta, eu desaprendi a ser só. Cometeram um grande erro de me ensinar a ser junto. Me mostraram como é bom ter sempre alguém a quem recorrer, alguém sempre por perto pra quem ligar de madrugada, alguém que sempre está lá, na primeira opção do SMS, com uma estrelinha de favorito ao lado do nome. Me ensinaram que se eu tivesse medo, podia gritar e alguém ouviria. Que se eu tivesse frio, alguém viria com um cobertor quentinho. Não os culpo por isso. Como prefiro dar que receber, sei bem como é a sensação de ver que somos úteis. Que podemos fazer algo por outra pessoa. Mas eu? Não precisava...

Ensinada a andar junto, a ter uma mão onde segurar enquanto ando, hoje quando preciso de um momento de silêncio, eu ligo a TV. Sozinha em casa, me dá a ilusão de que alguém está ali, me fazendo companhia. E tanto tempo me deparando sempre com distância, todos os dias sempre mais distância (de mim, dos meus amigos, da minha família), eu ainda não reaprendi a ser só. Por que quanto mais só fico, mais junto quero estar.
Temo que me deixem a sós comigo. Por que minha mente é uma má-companhia quando estou triste. Preciso que algo fora dela me distraia, me tire do poço sem fundo que é minha cabeça. Preciso de um coelho branco que me leve a outro mundo. Mas nem coelhos me visitam mais. 

É por isso que preciso aprender a ser só. Não quero mais tentar reaprender como era antes, por que acredito que não aprendi, decorei a ser só. Por que quando se aprende, não se esquece. E eu esqueci como é ter só a mim como companhia. Quero que o fato de estar cercada de gente e me sentir solitária não me assuste tanto. Quero que eu seja suficiente quando os outros forem de menos. Quero acreditar mais em mim e não tão cegamente nos outros. Quero depositar fé e esperança em mim, que me conheço melhor, e não nos outros, que podem me desapontar tão facilmente... Quero ser eu. Quero ser só.
É, amigo Gilberto. Que bela reflexão você fez, a mesma que eu fiz quando ouvi Elis Regina e resolvi escrever esse texto. Acho que nós dois estávamos tentando aprender a ser sós juntos.


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