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Suma de Letras, 2015, 256 páginas |
Stephen King sempre foi um dos meus escritores favoritos. Suas obras carregadas de suspense, terror, violência e até mesmo questões filosóficas e religiosas sempre me deixaram vidrada até a ultima página. E qual não foi minha alegria quando seu livro "Sobre a Escrita: A Arte em Memórias" (Suma de Letras, 2015, 256 páginas) chegou às minhas mãos. Simplesmente o KING da escrita compartilhando conosco, reles mortais, seu conhecimento do mercado editorial e principalmente revelando o que há por trás de seu processo criativo. Um tesouro!
Em sua obra "Sobre a Escrita", o mestre do terror de histórias como "O Iluminado", "Carrie, a Estranha" e "Misery", nos traz em quatro partes as dores, delicias e técnicas da profissão de escritor. Na primeira parte, "Currículo", King nos conta algumas memórias desde a infância até os primeiros momentos de êxito em sua carreira de escritor. Não é exatamente uma biografia, são fragmentos que ele considera válidos destacar por terem contribuído para quem ele é hoje.
Na segunda parte, "Caixa de Ferramentas", o autor relata, por meio de uma metáfora com uma caixa de ferramentas, tudo o que um escritor precisa para começar a escrever. O tempo todo a escrita na visão de King não é apenas um hobby, é levada a sério - e muito sério. Nesta seção, o escritor aborda desde questões de vocabulário, o que usar (objetividade, concisão...) e o que evitar (advérbios, voz passiva...) ao começar a desenvolver uma história.
Na próxima parte, "Sobre a Escrita", Stephen King adentra, de fato, os meandros do processo criativo de uma obra literária. Aqui está o que envolve a vida de um escritor, principalmente, um escritor em formação. Desde como a leitura é indispensável para desenvolver uma escrita digna de ser lida, até algumas técnicas pessoais que ele utiliza ao produzir uma obra - como o caso da "Porta Fechada, Porta Aberta", que é basicamente sobre como é necessário primeiro escrever para si e só depois para os outros. É um grande rol de dicas muito valiosas que estão longe de tratar a escrita como algo automático, mas que pode ser treinado e aprimorado para tornar o processo criativo mais produtivo e, é claro, prazeroso para o escritor.
Na última parte da obra, acrescentada na segunda edição, em 2010, "Sobre a Vida: Um Postscriptum", King narra um grave acidente que sofreu inclusive quando estava escrevendo este livro. Foi o acidente mais sério que ele já sofreu e que quase leva sua vida. Ele nos conta todo seu processo de recuperação e como voltou a escrever depois disso. É muito interessante perceber a forte relação do escritor com sua esposa, Tabitha (Tabby), e seu comprometimento com a escrita - que nem mesmo a dor física conseguiu abalar.

Além disso, a obra traz ainda alguns anexos com uma longa lista de livros indicados por Stephen King para observar as técnicas, estilos e desenvolvimentos de uma narrativa (a maioria é, claro, de literatura americana), e que podem ser uma boa luz para um escritor em desenvolvimento.
"Sobre A Escrita" não é um livro de autoajuda. Muito menos de receitas prontas. Ninguém nunca vai poder dizer a você como escrever perfeitamente e agradar a todos. Até por que isso não existe. O que nosso querido escritor fez foi nos mostrar, a partir de suas experiências e visão pessoal da carreira e da vida, como pelo menos começar a trilhar o caminho que ele já trilhou - e teve muito sucesso. A leitura é tão gostosa, é literalmente como conversar com Stephen numa tarde chuvosa com uma xícara de chocolate quente do lado.
Somente você pode decidir o que funciona melhor para você ou não, ou neste caso, que dicas do escritor adotar para a vida ou adaptar ao seu modo de fazer as coisas. Porém, ler essa obra pode iluminar boa parte do caminho. Pelo menos para mim, foi mais do que válido, e tenho certeza de que vou reler várias vezes "Sobre a Escrita: A Arte em Memórias" para aceitar bons conselhos de um cara que sabe do que está falando.
"Começa assim: coloque sua mesa em um canto e, todas as vezes em que se sentar para escrever, lembre-se da razão de ela não estar no meio da sala. A vida não é um suporte à arte. É exatamente ao contrário"
(Stephen King)